quarta-feira, 6 de junho de 2018
terça-feira, 5 de junho de 2018
terça-feira, 10 de abril de 2018
A Casa de Banhos
A CASA DE BANHOS
Leonardo Dantas Silva
A Casa de Banhos era uma casa que ficava no dique natural do Porto do Recife, em Pernambuco, onde atualmente se encontra o Parque das Esculturas de Francisco Brennand e o Farol do Recife.
Foi construída em 1880 por Carlos José de Medeiros, próximo a antiga Ponte Giratória e no início do Século XX foi bastante frequentada pela sociedade recifense, que para ali se dirigia para tomar banho salgado em suas piscinas naturais.
A autorização inicial de construção, dada pelo governo, foi para a construção de uma residência sobre o dique.
Algum tempo depois, o proprietário iniciou sua exploração comercial, transformando-a em uma hospedaria, considerada para fins medicinais. Seu nome oficial era Grande Estabelecimento Balneário de Pernambuco, nome este que não caiu no gosto do povo, que a chamou de Casa de Banhos.
Em 1902, possuía cinco banheiros, que permitiam o uso simultâneo de 350 pessoas, 102 compartimentos próprios para a toilette dos banhistas, um grande salão de refeições, duas salas, um gabinete de leitura e outras dependências. Um sistema de proteção feito com cabos de aço contornava a piscina e impedia os banhistas caíssem no mar. A Casa de Banhos propriamente dita consistia numa edificação de madeira, onde funcionavam um bar e restaurante.[2]
Os proprietários moravam numa dependência do próprio estabelecimento, até mesmo depois da morte do Sr. Medeiros, que chegou a ter uma filha nascida naquele local. Logo após o estabelecimento foi adquirido pelo inglês Sydney Rodhes, que modificou suas instalações e aumentou o preço cobrado pelos banhos. Isso fez com que o Governo de Pernambuco modificasse sua tabela de preços, tornando obrigatório o banho gratuito de 5 doentes da Santa Casa de Misericórdia por dia.
Em 1920 a Casa de banhos foi destruída por um incêndio.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Bajado
BAJADO
Regina Coeli Viera Machado
Euclides Francisco Amâncio, artista plástico, chargista, letreirista, cartazista, pintor de quadros e murais, conhecido mundialmente como Bajado, nasceu no dia 9 de dezembro de 1912, no município de Maraial, no Estado de Pernambuco.
O apelido Bajado surgiu na infância por causa de uma brincadeira, durante um jogo de bicho, seu passatempo preferido.
Bajado mudou-se para Catende, outro município pernambucano, ainda adolescente, indo trabalhar como ajudante e pintor de cartazes de filmes de faroeste, onde ficou até 1930.
Quatro anos depois, foi morar no Recife, onde arranjou um emprego como letreirista de cartazes e operador de máquina do Cine Olinda, função que exerceu até 1950.
Nas horas vagas pintava letreiros, fachadas e interiores de lojas comerciais, restaurantes e botequins, ornamentando-os com figuras ou compondo painéis e quadros.
O artista prestou uma grande homenagem ao bloco carnavalescoDonzelinhos dos Milagres que estava encerrando, para sempre, os seus festejos de carnaval, pintando na parede de sua sede os versos: "O mar que levou a praia, levou também Donzelinhos."
O gosto pela arte se manifestou quando Bajado retratou os clubes carnavalescos de Olinda, Pernambuco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante,O Homem da Meia-Noite, Cariri, Vassourinhas, assim como o frevo rasgado na Ribeira, Largo do Amparo, Varadouro, Praça do Carmo.
Em 1964, junto com alguns amigos de profissão, inaugurou o Movimento de Arte da Ribeira, em Olinda, onde passou a expor seus trabalhos.
Dentre uma mistura de cores e tintas, Bajado foi capaz de reproduzir inúmeras telas sobre a vida cotidiana, o sofrimento, as emoções e a cultura do povo pernambucano.
O artista possuía um temperamento calmo e brincalhão. Fluiu na arte, com a simplicidade de um homem humilde. Era considerado um artista primitivo, inserido no estilo da arte contemporânea. Sua tendência artística era a liberdade de estética, comum na arte moderna, e suas obras retratavam tanto os folguedos carnavalescos, como também reverenciavam políticos e personalidades ilustres da sociedade pernambucana: Agamenon Magalhães, o presidente Jânio Quadros, o general Teixeira Lott, entre outros.
Na década de 1970, um turista italiano, Giuseppe Baccaro, ao ver as suas pinturas e quadros a óleo expostos nas residências e estabelecimentos comerciais de Olinda, ficou impressionado diante do primitivismo artístico do pintor que assinava da seguinte maneira as suas obras: "Bajado um artista de Olinda". Contactando-o, lançou-se como divulgador e administrador dos seus trabalhos.
Em decorrência disso, alguns meses depois, começaram a aparecer as suas primeiras exposições e mostras no Recife, na Casa da Cultura, na Fundação Joaquim Nabuco, na Caixa Econômica Federal, no Lions Club, no Cabanga Iate Clube.
Novas oportunidades continuaram a surgir, desta vez para o artista expor em outras capitais brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória. Do exterior, Bajado recebeu vários convites para ir apresentar as suas obras. Neste sentido, iniciou pela França uma maratona artística, passando pela Itália, Espanha, Holanda e Tchecoslováquia, atual República Tcheca.
Em 1994, no limiar dos 80 anos, Bajado foi homenageado com uma mostra internacional na sede da Unesco, em Paris, com a participação de diversos artistas internacionais.
Contido, apesar da sua fama e do seu talento artístico, ele sempre viveu humildemente. Tinha como o maior prazer da vida a expressão da sua arte primitiva, a alegria do seu povo.
Bajado passou seus últimos dias assistindo filmes antigos na televisão e recordando as peripécias da sua mocidade. O artista plástico, faleceu em 1996, aos 84 anos de idade, em sua residência localizada na Rua do Amparo, nº 186, Olinda, imóvel este que lhe foi doado por Baccaro, o seu marchand italiano.
Fonte: Site da Fundaj
segunda-feira, 2 de abril de 2018
O maestro Nelson Ferreira
O MAESTRO NELSON FERREIRA
Clóvis Campêlo
A cidade do Bonito fica a 136 quilômetros do Recife, no agreste pernambucano. Com menos de 40 mil habitantes, é uma cidade pacata instalada numa bela região repleta de cachoeiras e quedas d'água. Pois bem! Foi nesse lugar aprazível que nasceu o maestro Nelson Ferreira, em 9 de dezembro de 1902.
Segundo a Wikipédia, Nelson Ferreira era filho de um violonista vendedor de jóias e de uma professora primária. Aprendeu a tocar violão, violino e piano. Fez sua primeira composição aos catorze anos, a valsa Vitória, sob encomenda.
Tocou em pensões, cafés e saraus e nos cinemas Royal e Moderno, no Recife, sendo considerado o pianista mais ouvido na época do cinema mudo.
Foi diretor artístico da Rádio Clube de Pernambuco, convidado por Oscar Moreira Pinto. Também Diretor artístico da Fábrica de Discos Rozenblit, selo Mocambo, única gravadora de discos instalada nos anos 1950 fora do eixo Rio/São Paulo. Estudou no Grupo Escolar João Barbalho - Recife/PE. Maestro, formou uma orquestra de frevos cuja fama percorreu todo o Brasil.
Quem pensa, porém, que Nelson Ferreira era apenas um compositor de frevo se engana. Tendo de sua autoria composições de vários ritmos e estilos, como foxtrote, tango, canção, no entanto, especializou-se e foi conhecido no Brasil como compositor de frevos. Nelson Ferreira faleceu no Recife, em 21 de dezembro de 1976.
Sobre ele assim se expressou Isabelle Barros, no site Uai: “Há quarenta anos, a música de Pernambuco ficou em tom menor. Em 1976, o maestro Nelson Ferreira morreu e levou com ele um talento musical prodigioso, que deu origem a cerca de 600 composições, entre eles frevos ouvidos até hoje nas ruas, casas e clubes. Se nomes como Felinto, Pedro Salgado, Guilherme e Fenelon ainda são lembrados, é por causa dele e de sua composição mais famosa, Evocação nº 1. No entanto, a importância de Nelson Ferreira não se resume às suas composições e ao seu talento como pianista e arranjador - como se isso fosse pouco. Ele foi o responsável por revelar talentos e desbravar um espaço novo para a música pernambucana como diretor artístico da Rádio Clube de Pernambuco e da Fábrica de Discos Rozenblit. Na primeira, impulsionou carreiras como a de Sivuca (1930-2006), que ficou grato a Nelson até o fim de sua vida, e, na segunda, gravou frevos que não estariam registrados se não fossem pela sua ligação umbilical com a música pernambucana”.
E ainda: “Nos últimos anos de vida, Nelson se preocupava com os destinos da música local. Ao se aposentar da Rádio Clube, em 1968, montou a Orquestra Nelson Ferreira, mas a concorrência com a música vinda do Sudeste, especialmente o samba, e a crise da Rozenblit, debilitada após sucessivas enchentes que danificaram suas instalações, não lhe eram favoráveis. Mesmo assim, se manteve ativo, compondo e à frente de sua orquestra até pouco tempo antes de falecer. Em 21 de dezembro de 1976, foi a vez de Nelson ser alvo de evocações e homenagens. No cortejo para seu enterro, compareceram mais de duas mil pessoas. Entre elas, Evocação nº 1, sua ode ao Recife e ao Carnaval”.
domingo, 1 de abril de 2018
Ramón, nosso grande artilheiro
Clóvis Campêlo
Amigos corais, o dia 12 de março não marca apenas os aniversários das cidades de Olinda e Recife. Foi em 12 de março de 1950 que Ramón da Silva Ramos nasceu na cidade de Sirinhaém, na zona da mata sul de Pernambuco. Portanto, dias atrás o nosso grande artilheiro completou 68 anos de idade.
Segundo a Wikipédia, Ramón iniciou a sua carreira futebolista no time da usina Trapiche, local onde trabalhava. Quem treinava o time da usina era Dario, um ex-jogador do América e do Sport e que posteriormente se tornaria técnico da base do Santa Cruz. Foi ele quem levou Ramón para as Repúblicas Independentes do Arruda e lhe deu a oportunidade de jogar no juvenil. Não demorou para que ele fosse promovido para a equipe profissional como um dos destaques do elenco.
Aliás, em 1969 o Santa Cruz começou a escalada do pentacampeonato estadual, e Ramós já despontava jogando na equipe de aspirantes. Nesse mesmo, o técnico Gradim resolveu aproveitá-lo no time de cima. Mas foi o treinador Duque que o efetivou definitivamente como titular. Rapidamente Ramón ganhou notoriedade na equipe principal, contribuindo decisivamente na conquista do pentacampeonato pernambucano (1969 a 1973) e principalmente pela sua atuação no campeonato brasileiro de 1973, quando foi o artilheiro da competição com 21 gols marcados.
Em 1975, saiu do santa Cruz para ir jogar no Internacional, de Porto Alegre. No Santinha, marcou 148 gols em 377 jogos disputados, ainda segundo a Wikipédia.
Chegou a ser incluído entre os 40 selecionados pelo técnico Zagallo para o Mundial de 1974, na Alemanha, mas uma contusão muscular lhe tirou qualquer chance de concorrer à vaga, pois a recuperação foi longa.
Em 1983, antes de encerrar a sua carreira como jogador, ainda voltou ao Santa Cruz, tendo a sua volta ao clube coral merecido uma matéria na revista Placar. Hoje, vive no Recife e trabalha como treinador nas equipes de base do Santinha.
Segundo o jornalista Cassio Zirpoli, em matéria publicada no seu blo no Diario de Pernambuco, em 12 de março do ano passado, Ramós é o 3º maior goleador da história coral, só ficando abaixo de Tará e Luciano Veloso. Este, aliás, tornou-se um amigo, companhia constante nas cadeiras pretas do Mundão, onde ainda acompanha o Santa, 50 anos depois e já como conselheiro.
Segundo matéria assinada pelos jornalistas Rogério Micheletti e Gustavo Grohmann, no site Terceiro Tempo, em 1976, antes de se transferir para o Vasco, o ex-centroavante teve uma rápida passagem pelo Inter de Porto Alegre (RS), onde atuou ao lado de craques como o goleiro Manga, Elias Figueroa e Falcão. Logo depois foi para o Sport e do time pernambucano foi negociado com o Vasco da Gama. Ramon também passou pelo Goiás, de 1979 a 81, Ceará, em 1981 e 82, São José, em 1983, Ferroviário, em 1984, e Brasília, em 1985, quando encerrou a carreira. Ramon é casado, tem cinco filhos e sete netos.
Ainda segundo a matéria acima citada, após se tornar o artilheiro do campeonato nacional, o Jóquei Clube de Pernambuco, através de seu presidente Sadoc Souto Maior, decidiu homenagear o centroavante Ramon. Foi-se, então, realizado o Grande Prêmio Ramón. E ainda: em homenagem ao pentacampeonato, conquistado por Ramon e seus companheiros, os irmãos Valença, autores do hino oficial do Santa Cruz, compuseram o frevo "O papa-taças" ("Quem é que quando joga a poeira se levanta? É o Santa! É o Santa!").
Um sucesso que Ramón mereceu, com certeza.
terça-feira, 27 de março de 2018
O Edifício Trianon
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
O EDIFÍCIO TRIANON
Clóvis Campêlo
Consta que o prédio foi
inaugurado em 1945.
Segundo a página Prédios
do Recife, do Facebook, o prédio é um
dos marcos da arquitetura moderna dos anos 30, o
que nos leva a supor que é deste período o seu projeto. No
edifício, até 1990, funcionou
o Cinema Trianon do Grupo Art Filmes.
A concepção do edifício
seguiu o princípio de prédios
de uso misto como o Cinema Ipiranga/Hotel
Excelsior em São Paulo, abrigando escritórios, consultórios
e o cinema homônimo no
térreo.
Ainda segundo a mesma página, a fachada da esquina
com a Avenida Guararapes e Rua do Sol é marcada por uma grande
reentrância curva, completada por marcações de pestanas de
concreto entre seus pavimentos. O projeto original previa apenas
quatro pavimentos, depois ampliado para sete. O cinema abrigava 611
lugares e a sua área era coberta com tesouras em concreto e telhas
cerâmicas.
A edificação está inserida no polígono de tombamento dos bairros São José e Santo Antônio, pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.
Em 2012, no seu blog,
Maria Helena do Nascimento, a Cidadã Repórter, já reclamava da
situação de abondono do prédio: “O outrora
famoso Edifício Trianon, um dos mais bonitos cartões postais da
capital pernambucana, transformou-se em uma velha e feia carcaça sem
portas e janelas, um prédio catacumba localizado na Avenida
Guararapes esquina com a Rua do Sol, área central do Recife”.
Hoje, a situação não é
muito diferente. O prédio continua abandonado e nem mesmo serve mais
para os camarotes do Galo da Madrugada durante o carnaval, haja visto
que a agremiação mudou o seu itinerário durante os festejos de
Momo.
Os grandes médicos
recifenses dos anos 60 e 70 tinham no prédio os seus consultórios.
Lembro do doutor Ernani Bérgamo, otorrino famoso na época e que
tinha na sua sala um impressionante gabinete entalhado em jacarandá
da Bahia. Da janela do consultório tinha-se uma visão privilegiada
do Capibaribe e do famoso Quem-me-Quer, como eram chamadas naquela
época as calçadas que circundavam o rio. Na margem oposta, ao lado
do Cinema São Luiz, a famosa sorveteria Gemba.
No Cinema Trianon, tive o
privilégio de assistir a alguns dos grandes filmes da época, como
2001, uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, e o filme
original do Planeta dos Macacos, Charlton Heston, baseado
no romance de Pierre Boulle.
Como
podemos observar pelas fotografias acima, o abandono do prédio não
é um fato isolado. Reflete a perda da importância de toda aquela
área, abandonada pelo poder público e pela iniciativa privada.
Como já disse o poeta, a
grana ergue e destrói coisas belas. O Edifício Trianon e todo o seu
entorno perderam importância depois do surgimento de outras áreas e
concepções de comércio na cidade, como por exemplo a construção
dos grandes shoppings center.
O centro histórico do
Recife hoje está entregue ao comércio informal, aos pequenos
comerciantes e às casas do jogo do bicho, atividade que é
considerada contravenção mas que se mantém por garantir o emprego
de milhares de pessoas.
Troça Carnavalesca Tubarão do Pina
Pescadores do Pina
TROÇA CARNAVALESCA
TUBARÃO DO PINA
Clóvis Campêlo
Segundo a pesquisadora
Cláudia M. de Assis Rocha Lima, em texto publicado no site da
Fundaj, a
troça
carnavalesca
mista
é
um clube
de frevo
em menor dimensão que sai logo no início da manhã, apresenta-se
nas ruas do centro ou do subúrbio, até as primeiras horas da tarde.
Originam-se esses grupos carnavalescos de simples brincadeiras, onde
está implícito o espírito crítico dos próprios foliões, como
demonstra o significado do verbo troçar:
escarnear, zombar, ridicularizar; vindo assim caracterizar a
psicologia desses agrupamentos. As troças
são divididas, pela Federação Carnavalesca Pernambucana em
primeira, segunda e terceira categorias, havendo outras que, por não
estarem filiadas, não pertencem a quaisquer divisões. São a
alegria dos subúrbios, chamadas por vezes de "levanta
poeira".
Alegram o carnaval de rua, durante o dia, e, por vezes, se apresentam
com mais luxo e melhores orquestras, que os próprios clubes
carnavalescos.
Tubarão
do Pina era uma dessas troças, formada pela grande colônia de
pescadores que havia no bairro e que animava o carnaval dali. Também
tinha uma sede na Avenida Encanta Moça, onde nos finais de semana a
categoria participava das festas.
Descobri
com atraso que o pai do amigo Ademário Pessoa foi presidente da
agremiação, conservando em casa, durante anos, um estandarte azul
da troça. A peça foi descartada com a morte de dona Mariá, mão de
Ademário. Teria sido uma relíquia importante, um troféu que eu
guardaria
com admiração pelo resto da vida.
Não
sei onde é a sede do clube hoje. Nem mesmo sei se ela ainda existe,
pois leio nos jornais do Recife que a Troça Carnavalesca Tubarão do
Pina só se organiza nas proximidades do carnaval. Descubro ainda que
este ano Tubarão desfilou no polo da Avenida do Forte, na zona oeste
da cidade, reservado geralmente para agremiações de terceira ou
quarta categoria.
Na verdade, amigos, o Pina
mudou muito nos últimos anos. A sua acelerada urbanização e a
ocupação desenfreada dos seus espaços pela especulação
imobiliária (hoje o bairro tem o metro quadrado mais caro do Recife)
fez com que muitas das manifestações populares que ali havia nos
anos sessenta e setenta fossem transferidas para outros locais
acompanhando os segmentos sociais que a cultivavam. Foi assim com os
terreiros de macumba que existiam na beira da maré, aterrada pelas
largas avenidas que hoje cortam o bairro; foi assim com os pastorís
profanos que nos encantavam nas festas natalinas; foi assim com
algumas agremiações carnavalescas.
Sem nenhum ranço
saudosista, mas lamentando a mudança ocorrida, sentimos falta ainda
hoje dessas manifestações. O Pina sempre foi um caldeirão cultural
que perdeu força com a chegada da classe média alta ao bairro.
Na comunidade do Bode, por
exemplo, ainda podemos entender a presença de um clube como o
Banhistas do Pina, ou do Maracatu Nação Porto Rico, no Encanta
Moça. Mas tememos sinceramente que esses focos de resistência
cultural terminem sendo anulados ou transferidos com a evolução e o
progresso do bairro.
Essas duas comunidades,
por exemplo, estão constantemente ameaçadas pela chegada das obras
modernizadoras. A Via Mangue que o diga.
sexta-feira, 23 de março de 2018
Monumento da Gaivota Karina
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
MONUMENTO DA GAIVOTA
KARINA
Clóvis Campêlo
De
acordo com o blog das PPPs, o Monumento da Gaivota Karina é de
autoria do artista plástico, escultor e ceramista Val Bonfim,
inspirado
no poema “Ode à Karina”, do escritor, jornalista e poeta,
Waldimir Maia Leite, membro da Academia Pernambucana de Letras (APL)
e cidadão jaboatanense. No
monumento é possível ler o poema, que está cravado na lateral da
base
da escultura.
Ainda
segundo o mesmo blog, o Monumento da
Gaivota Karina, foi esculpido
em 1994. O local escolhido para a fixação da escultura – em
frente ao Hospital da Aeronáutica, na beira-mar de Piedade – era
frequentado pelas gaivotas, sempre ao entardecer. Nos anos 80, o
poeta Waldimir Maia Leite usando o seu espírito romântico, começou
a escrever versos soltos a respeito dessas gaivotas. Aos domingos, em
sua página “Paralelo 8”, do Diário de Pernambuco, o poeta
sempre escrevia para uma, entre tantas gaivotas, a qual associou no
seu sentimento oculto, uma bela e esplendorosa gaivota, que logo
passou a chama-la de Karina. Assim, os versos de Karina ficaram
conhecidos em vários lugares do Brasil, pela circulação da sua
coluna jornalística. Então, o poema “Ode a Karina” foi
prestigiado nesta belíssima escultura, e hoje, é considerado um dos
espaços turísticos e artísticos de memória histórica e cultural
de
Jaboatão dos Guararapes”.
Segundo
o site da Arte Maior Galeria, Val Bonfim
nasceu
em Pernambuco em 5 de maio de 1942.
Iniciou-se
na arte em 1964. Escultor e pintor, realizou exposições individuais
e participou de diversas coletivas no Brasil e Exterior. A beleza,
originalidade e forma fazem o encanto da arte de Bonfim.
Inicialmente o Monumento da Gaivota
Karina era na cor cinza. Depois da reforma feita pela Prefeitura de
Jaboatão dos Guararapes, em 2014, ressurgiu branco. Antes, durante
algum tempo, ficou na beira da praia entregue ao abandono e ao
vandalismo de alguns. Foi pichado, as placas com poemas de Maia Leite
foram arrancadas e a iluminação do local foi roubada, ficando tudo
às escuras. A reforma, que custou cerca de R$ 43 mil aos cofres da
prefeitura do município, garantia ao público o usufruto do
monumento, num justo reconhecimento ao trabalhos dos dois artistas,
hoje já falecidos.
Penso que no local, um tanto quanto
deserto já que não está situado numa área residencial e tem como
vizinho apenas a Praia da Piedade e o Hospital da Aeronáutica,
poderia ser construído um polo de lazer, com um parque infantil e
uma academia pública para os cidadões locais se exercitarem. Mas,
numa época em que as prefeituras se mostram deficitárias essa
sugestão pode parecer um tanto quanto sonhadora.
quarta-feira, 21 de março de 2018
O antigo posto 5
Clóvis Campêlo
Na verdade nem mesmo sei se essa era mesmo a sua numeração inicial. Porém, como dos cinco postos salva-vidas restantes ele é o último, no sentido Pina-Boa Viagem, assim o estou classificando.
Fica logo após a Praça de Boa Viagem, em frente ao local onde havia anteriormente o prédio de seus andares do antigo Hotel Boa Viagem, demolido no final dos anos 90.
E se antes o cenário ilustrado por coqueiros e grandes casarões, hoje o antigo posto contrasta com dois grandes espigões, construídos no terreno do antigo hotel demolido. No seu enredo, a paisagem não se modifica muito: são muitos os prédios construídos. Até mesmo a paisagem da praia mudou. Onde antes havia areia e espaço suficiente para os banhistas, hoje existe um dique feito com grandes pedras para proteger o calçadão e evitar o avanço do mar naquela área. Quando a maré está baixa, ainda sobra espaço para os banhistas e para os comerciantes que com eles dividem a areia. Quando a maré sobre, porém, a água do mar cobre toda a área, tornado-a inadequada para o banho. Nem mesmo um ponto de jangada que existia mais à frente, diante do Conjunto Residencial Transatlântico, existe mais. Não se pode porém culpar apenas o avanço do mar por isso. Com a urbanização e a excessiva valorização dos imóveis daquele trecho do bairro, a antiga colônia de pescadores que ali existia foi empurrada para longe.
Hoje, o antigo posto, como todos os outros quatro ainda remanescentes integram o Projeto Salva-Arte, numa tentativa dos poderes constituídos em ainda lhe atribuir algum valor. Se os transeuntes e moradores do bairro aprovaram essa intervenção, não sabemos.
Nas fotografias acima, feitas por nós em fevereiro próximo passado, tentamos mostrar estes contrastes entre as linhas retas dos altos prédios ao redor e as linhas curvas do posto em evidencia. Essas diferenças também podem ser admiradas do ponto de vista arquitetônico: um contraste entre o estilo funcional moderno, quase sempre em ângulos retos, e o traço decó dos postos de salvamento.
O contraste, inclusive ameniza a verticalização excessiva e exagerada dos imóveis da Avenida Boa Viagem naquele trecho, exercida numa época em que ainda não havia o controle devido da ocupação do solo urbano recifense.
Nesse sentido, é interessante citar a matéria postada no site G1, da Globo, onde a questão é abordada de uma forma genérica e mais especificamente sobre a ocupação desregrada que aconteceu nos bairros do Pina e Boa Viagem. O texto de Vitor Tavares e Luna Markman diz o seguinte: “O Recife, por exemplo, cidade que tem o privilégio de ter como vizinhos o Oceano Atlântico, rios e canais, possui inúmeras construções que simplesmente viram as costas para a paisagem natural. Outro exemplo negativo que a capital pernambucana tem, no entendimento de especialistas, é a falta de escalonamento dos edifícios. Em Boa Viagem, na Zona Sul, grande parte dos prédios mais altos está localizada na beira da praia, atrapalhando a urbanização e a circulação do vento na parte mais interna do bairro”. E continua estendendo a análise até as praias vizinhas de Piedade e Candeias, em Jaboatão dos Guararapes: “ A ocupação da orla de todo o Grande Recife também é questionável, principalmente em bairros como Piedade e Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, onde há áreas onde sequer existe calçada entre os prédios e a praia”.
terça-feira, 20 de março de 2018
O Castelinho
O CASTELINHO
Clóvis Campêlo
Segundo o amigo Paulo
Lisker, um recifense que mora em Israel, o casarão pertenceu à
família do artista plástico Lula Cardoso Ayres.
No seu livro Trilhas do
Recife – Guia Turístico, Histórico e Cultural, o escritor
João Braga é bastante suscinto: “Na Av. Boa Viagem nº 4530,
encontra-se uma antiga e bela construção residencial, depois
restaurante, o Castelinho. Foi cartão-postal, ponto de encontro e
referência do bairro de Boa Viagem. Atualmente, preservando o
casarão, em seu terreno foram construías duas torres de um edifício
residencial”.
No livro O Recife e
Seus Bairros, o pesquisador Carços Bezerra Cavalcanti é ainda
mais econômico: “Entre os casarões do bairro destaca-se, na Av.
Beira Mar, um em forma de castelo (o Castelinho)”. Além de
brevíssimo, o escritor ainda cometeu o equívoco de chamar a Avenida
Boa Viagem de Avenida Beira-Mar. Acontece.
No site Por Aqui, em texto
de Geraldo Lélis, encontramos algumas outras informações: “Os
mais novos ouvem o termo Castelinho como referência de localização
na Av. Boa Viagem e, às vezes, não sabem do que se trata. Alguns
podem até achar que o pequeno castelo é apenas o salão de festas
do condomínio de edifícios, onde ele está situado. De fato, hoje
ele o é. No entanto, a história conta que o prédio abrigou um
restaurante muito concorrido entre as décadas de 1940 e 1980, antes
da chegada dos arranha-céus. O local é uma das primeiras
construções à beira-mar da Zona Sul do Recife. Além da
construção, que já chamava a atenção, o restaurante contava com
arborizada área externa, onde atendia os clientes a céu aberto. Era
um dos pontos de encontro que a beira-mar tinha durante os fins de
semana e principalmente nas férias de verão, quando a ocupação da
praia aumentava significativamente. No início dos anos 1990, o
Castelinho e sua área deu lugar aos edifícios Castelinho e Castelo
del Mar, na esquina com a Rua Benedito Chaves. Devido ao fato de o
Castelinho ter sido incluído na lista dos imóveis especiais de
preservação (IEP), a edificação foi mantida e compõe a área
comum do condomínio”.
Nas fotografias acima,
podemos observar que o prédio sofreu algumas modificações ao longo
do tempo. Na primeira fotografia, de autor deconhecido e colhida por
nós no site acima mencionado, observamos a existência de uma torre
alta e que dava mais sentido à denominação do prédio. Na segunda
fotografia, feita por nós em fevereiro próximo passado, o prédio
já não conserva a mesma imponência, mas ainda se impõe pela
beleza e pela arquitetura diferenciada entre os espigões que hoje
ornamentam a orla da praia da Boa Viagem.
Na verdade, as informações
deixam a desejar. Gostaríamos de saber, por exemplo, o ano da sua
construção, quando e porque foi feita a reforma que lhe alterou as
características iniciais, e até mesmo o nome do profissional que
fez o seu projeto.
O Castelinho sempre foi
para nós, meninos criados na para do Pina, uma referência positiva
na longínqua Boa Viagem. Fazia parte do cenário dos altos coqueiros
que antes compunham a paisagem praieira daquele lugar.
Felizmente para nós, a
edificação resistiu à ação deletéria do tempo e dos homens.
Que Nossa Senhora da Boa
Viagem diga amém!
quinta-feira, 15 de março de 2018
O antigo prédio do Diario de Pernambuco
O ANTIGO PRÉDIO DO DIARIO DE PERNAMBUCO
Clóvis Campêlo
O impressionante como mesmo abandonado e em ruínas o antigo prédio do Diario de Pernambuco mantém-se belo e imponente.
Segundo matéria publicada no jornal Folha de Pernambuco do dia 5 de janeiro próximo passado, parte da fachada de centenário prédio localizado diante da Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio, foi ao chão. Pedaços que compunham uma das janelas do prédio despencaram, segundo testemunhas, no último sábado (30 de dezembro). A Defesa Civil do Recife terminou por retirar pedaços da construção que ameaçavam cair e circundou o local com faixas de segurança para evitar maiores atropelos e consequência.
Mais adiante, na mesma matéria, o prédio, construído em 1903, funcionou como redação do jornal até 2004. Em 2014, foi divulgada a cessão, pelo Governo do Estado, ao Porto Digital para utilização por 10 anos. Segundo o projeto de lei, o imóvel poderia ser usado para a instalação de empresas de tecnologia da informação e comunicação. Até hoje, porém, o prédio permanece fechado e em processo de decadência acelerado.
Segundo matéria publicada no próprio jornal Diario de Pernambuco, em 20 de novembro de 2014, o prédio foi construído em 1903 pelo então proprietário, o conselheiro Rosa e Silva, para abrigar o decano da Imprensa brasileira, e se tornaria durante o século 20 palco de acontecimentos de dimensão histórica. O edifício tornou-se, no período de Carlos Lira Filho, uma espécie de reduto da intelectualidade. Recepcionou um presidente da República no exercício do cargo e até mereceu um gesto simpático de um integrante da realeza britânica, a rainha Elizabeth, em visita a Pernambuco. Ainda segundo a mesma matéria, o edifício do antigo Diario de Pernambuco foi a sétima sede do periódico, que atualmente funciona no bairro de Santo Amaro, na Rua do Veiga.
Segundo o pesquisador João Braga, no livro Trilhas do Recife - Guia Turístico, Histórico e Cultural, anteriormente o jornal funcionou na Rua das Cruzes, atual Rua Diario de Pernambuco, em casa que pertencia ao comendador Manoel Figueiroa de Faria, mas logo depois mudou-se para o prédio onde funcionou até 2004. Em 1913, foi reformado, ganhando mais um pavimento e um relógio que foi adquirido nos Estados Unidos.
Na fotografia acima, feita por nós em fevereiro próximo passado, vale a pena observar em primeiro plano a escultura de Corbiniano Lins, falecido recentemente, em homenagem aos carteiros do Recife e inaugurada em 2005.
quarta-feira, 14 de março de 2018
O trânsito em Boa Viagem
O TRÂNSITO EM BOA VIAGEM
Clóvis Campêlo
O acidente acima aconteceu na madrugada do dia 14 de fevereiro próximo passado, em plena Quarta-Feira de Cinzas. Aliás, os acidentes são uma constante nesse cruzamento, principalmente de madrugada quando os motoristas não respeitam a sinalização com medo dos assaltos. Como moro perto do local, já presenciei ali vários abalroamentos, felizmente sem vítimas fatais.
No presente caso, o Fiat branco transitava pela Avenida Domingos Ferreira e queimou o sinal vermelho. Bateu no poste do semáforo, que caiu sobre o carro vermelho que vinha pela Rua Félix de Brito e Melo, no sentido da praia.
No site Por Aqui, encontrei uma matéria interessante sobra o trânsito na Avenida acima citada. Diz o seguinte: "Todo mundo que mora no Recife, por mais ao norte que se more, já pegou algum congestionamento na Av. Domingos Ferreira, aponta estudo?. Tá, 100% pode até não ser, mas pelo menos 99,9% já viveu perigosamente a 5 km/h na via que começa no Pina e vai até o fim de Boa Viagem". E continua: "Quem nunca teve de justificar algum atraso por estar preso na Domingos Ferreira? Quem nunca reclamou ao saber que determinado destino fica na Domingos Ferreira? Se você já teve motivos para xingar esse nome, saiba agora quem é a pessoa que batiza uma das vias mais importantes da cidade". E conclui: "Estamos falando de um engenheiro urbanista importante para o Recife durante os anos 1920, 30 e 40 ao realizar vários projetos para a cidade, como a remodelação do bairro de Santo Antonio e o Parque 13 de Maio, ambos no Centro. Ele nasceu em 1894, no município de Pesqueira, no Agreste Pernambucano. Entre os projetos do engenheiro, estava a urbanização de Boa Viagem, a partir da década de 1940. Há quem diga que o projeto de Boa Viagem não foi executado conforme ele planejou, já que o estilo dele não se parecia com o corredor de concreto que é a avenida hoje. Além da remodelação do bairro de Santo Antonio, da urbanização de Boa Viagem e da criação do Parque 13 de Maio, Domingos Ferreira também criou o projeto da Av. Guararapes, também no Centro. Atualmente, a via que leva o nome do urbanista recebe a passagem de cerca de 39 mil veículos por dia. Esse número chegou a ser de 57,5 mil antes da inauguração da Via Mangue, em 2014".
Por falar em Via Mangue, essa foi a maior obra de mobilidade urbana feita no governo da Presidenta Dilma Rousseff, desafogando o trânsito nos bairros do Pina e de Boa Viagem. Justiça lhe seja feita.
Restaurante Rainha do Mar
RESTAURANTE RAINHA DO MAR
Clóvis Campêlo
Duas imagens do restaurante Rainha do Mar, em Olinda, conseguidas junto à página Pernambuco Arcaico, no Facebook. Segundo informação da página, as fotografias forame enviadas por Fernando Alves Ferraz.
Na primeira imagem, vemos o restaurante ainda em madeira. Na página, o leitor Eduardo Borborema fez o seguinte comentário: "Lembro demais. Pertencia ao mestre Aragão, paraibano do município de Galante. Depois ele derrubou e construiu o novo Rainha do Mar, que tinha o formato de um navio".
É justamente o segundo prédio, em formato de navio, que vemos na fotografia seguinte, na beira mar do Bairro Novo, em Olinda.
No blog Fotolog, consta a seguinte informação sobre o restaurante que marcou época: "Fotografia de 1972, retratando o famoso restaurante Rainha do Mar, o mesmo era famoso por possuir um formato de navio, e por servir um dos melhores churrascos daquela boa época. O Rainha do Mar era frequentado, por artistas e pessoas importantes da sociedade olindense, que ali ia m para desfrutar, além da boa comida, como o bom churrasco laçado pelo próprio dono, o Sr. Aragão, observar a bela vista que o restaurante lhes proporcionava. Mas tarde, o Rainha do Mar teria seu nome mudado para Restaurante Janaína, ainda mantendo padrão e renome. Quem não lembra do velho Janaína, quem não passou por ali maravilhosas manhãs e tardes das nostálgicas décadas de 70 e 80, ao som da boa música e ao sabor do mar? Sem Dúvidas o Velho Janaína fez história na Formosa Cidade".
terça-feira, 13 de março de 2018
Ambulantes do Recife
AMBULANTES DO RECIFE
Recife, março de 2018
Fotografias e texto de Clóvis Campêlo
Segundo o site Nova Democracia, vendedores informais bloquearam as pistas na Praça do Derby, região central de Recife, na manhã do dia 6 de fevereiro, em protesto pela falta dos kits de fardamento, um tipo de material de identificação distribuídos pela prefeitura para garantir a segurança dos trabalhadores.
Os ambulantes se reuniram em frente à estação do BRT, com faixas, cartazes e segurando caixas térmicas utilizadas no trabalho. Algumas das faixas dizem a mensagem "ambulante não é ladrão".
Pelo que consta, o protesto aconteceu por que o material distribuído anteriormente pela Prefeitura não abrangeu a todos os ambulantes da área.
E embora reconheçamos o direitos de todos sobreviverem no mercado informal, não há a menor dúvida de que o comércio ambulante necessita de um mínimo de organização visando a segurança de todos, vendedores e consumidores.
Talvez o enfoque deva até se estender ao comércio nas praias do Recife, onde se vende e se compra de tudo um pouco, inclusive os famosos "raspa-raspa". Eu mesmo já consumi até raspa-raspa de macaíba, uma delícia que oferecida apenas por um dos vendedores do produto.
A carrocinha acima inspirou-se em um elemento da cultura de massa - Frozen - para colorir-se e para oferecer o seu produto de maneira mais colorida. Ao meu ver, uma iniciativa válida e inserida no contexto.
Uma inverdade histórica
UMA INVERDADE HISTÓRICA
Recife, março de 2018
Fotografia e texto de Leonardo Dantas Silva
Uma inverdade histórica que, de tanto repetida pelas mais diferentes fontes oficiais, já vem se transformando, nos nossos dias, em verdade (!).
Lembro do caso das comemorações da data de existência histórica das cidades gêmes do RECIFE e OLINDA....
Ambas originadas da decisão do primeiro donatário Duarte Coelho Pereira (c.1485-1554) em escolher o local para fundação de uma vila que viesse a ser o centro administrativo da Capitania de Pernambuco, quando aqui aportou em 9 de março de 1535 no Porto Pernambuco (hoje Sítio dos Marcos), às margens do Canal de Santa Cruz, local onde já existia uma antiga Feitoria Régia (1501) divisa de sua capitania com a de Itamaracá.
Aportando na antiga Feitoria de Cristóvão Jacques (1501), como era assim denominado o local, não poderia o Duarte Coelho constituir, em março de 1535, as bases da futura Vila de Olinda, que viria a ser localizada mais ao sul, como se comprova em nossos dias; surgida, na versão de Frei Vicente do Salvador, da exclamação de ... "um galego, criado de Duarte Coelho, andando com outros pelo mato, buscando um sítio se edificasse (a sede da Capitania) achando este, que é um monte alto, disse com exclamação e alegria: O' linda".
Somente em 12 de março de 1537, dois anos depois, é que o mesmo donatário vem outorgar a chamada Carta Foral de Olinda, descrevendo a nascente vila e estabelecendo as zonas de serventia de sua população, bem como os seus limites e acidentes.
Assim é que, neste mesmo documento, fruto de estudos recentes de historiadores, a exemplo de José Antônio Gonsalves de Mello, aparece mencionado o "Povo do Arrecifes" e "o arrecife dos navios"...
Diante de tais argumentos se conclui que a Vila de Olinda e a povoação do "Arrecife dos Navios" foram nominadas a um só tempo, dentro do mesmo documento, falecendo a inverdade de que Olinda surgiu em 1535 e o Recife em 1537; ou seja, dois anos depois!!!
segunda-feira, 12 de março de 2018
O Galinho do Derby
O GALINHO DO DERBY
Recife, fevereiro de 2018
Fotografias e pesquisa de textos de Clóvis Campêlo
Segundo notícia publicada no site G1, em 25 de janeiro próximo passado, às vésperas da comemoração de 40 anos de desfiles, o Galo da Madrugada,
ícone do carnaval pernambucano, ganhou uma homenagem especial. Estátuas coloridas foram espalhadas pelo Recife
e Olinda em homenagem ao clube de máscaras. As primeiras quatro esculturas, de
um total de 10 obras, foram instaladas em Boa Viagem, na Zona Sul, e em
pontos da região central da cidade. As primeiras peças ficaram no Parque Dona Lindu, em Boa Viajem
e na Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio. Criadas pelo
casal de artistas Mila e Rafa Cavalcanti, as obras têm a temática “Galo
que Junta Casais”. Elas foram inspiradas na história do casal Nonô Germano e Daniela
Freire, que se casaram no desfile do Galo em 2017, em cima do trio
elétrico. A “cerimônia” contou com juiz e a participação especial de
mais de um milhão de foliões.
O Galinho da Praça do Derby, segundo a mesma matéria, fez parte da segunda etapa do projeto. Além do tema inicial, também foram utilizadas as temáticas do “Galo que Junta Gerações”, “Galo que Junta Amigos” e do “Galo que Junta o País”.
Wilson Carneiro da Cunha, o fotógrafo da cidade
WILSON CARNEIRO DA CUNHA, O FOTÓGRAFO DA CIDADE
Recife, 2014
Texto de Urariano Mota
Fotografia de autor desconhecido
Ao lado da Igreja de Santo Antônio, instalou-se o Kiosque do Wilson, estúdio, escritório e ponto de encontro de muitas pessoas no Recife. De 1960 até a década de 80, toda a gente do Recife gostava de ver a foto do Zeppelin sobre a cidade, e uma famosa de Lampião com os cangaceiros. Muito tempo depois é que notamos Wilson além do exótico, fora do capítulo do insólito e das fotos de batizados e casamentos. Então reconhecemos que Wilson Carneiro da Cunha foi, era o repórter fotográfico da cidade.
No registro cotidiano do Recife, muito nos espanta hoje o seu sentido de flagra, mais rápido que o de um fotógrafo de esporte no momento do gol. No precioso arquivo de sua filha Olegária, aparecem fotos de ladrões meninos ou adultos no instante do furto. Como se fosse de repente, naquele momento tão suave e sub-reptício que ninguém vê, Wilson mostrava em preto e branco os dedos escorregando em uma bolsa de mulher, no centro do Recife. O seu flagrante não media conveniências. Flechava, ou melhor, “flashava” até meninos miseráveis, sem banheiro no mocambo, defecando à luz do dia em um canal da cidade.
Olegária nos contou que tamanha era a intimidade do pai com os famosos do Recife, que ele chegou a fotografar misses de Pernambuco nuas. Para nossa infelicidade não restaram as provas, porque Wilson, honestíssimo, devolvia os negativos às donas das curvas. (O que eram os costumes do tempo e a gentileza do fotógrafo.) Wilson trabalhou em toda imprensa do Recife, mas era artista que não se limitava à pauta dos jornais, ou a mero ilustrador da notícia.
O que não cabia na imprensa era a sua especialidade. Alagados, casebres, mocambos, queima de judas, maracatu, meninos tomando banho em cano estourado, na favela um músico a tocar bandolim, sentado numa caixa de madeira, porcos na rua. Wilson possuía senso e faro próprio. Ele se estendia dos populares, dos flagrantes da gente do Recife, aos acontecimentos mais luxuosos, da “elite”. Era o fotógrafo escolhido para o Balé Bolshoi, e ao mesmo tempo ele se escolhia para o registro de um homem puxando um cachorro, tão pobre e rasgado quanto o dono. Dele são imagens dos prédios e coisas da cidade em sua mais cruel mudança. Foi Wilson quem registrou uma foto histórica da destruição da Igreja dos Martírios. Nas palavras de José Luiz da Mota Menezes em entrevista a mim:
“Então o prefeito Augusto Lucena iniciou um processo que caracterizasse o destombamento. Para esse fim, ele mandou que um indivíduo chamado Ubirajara, que era o demolidor oficial da Prefeitura do Recife, amarrasse um cabo de aço na torre da Igreja, para derrubar a torre e descaracterizar dessa forma o edifício. Wilson, aquele, do “Kiosque de Wilson”, nessa altura se achava presente, documentou o prefeito Lucena, em pessoa, auxiliado por seu secretário Ubirajara, amarrando o cabo de aço na torre da Igreja e puxando, e a torre caindo”.
Wilson usava de preferência uma Rolleiflex linha avançada, filme de 120, ou câmera Cannon. A filha Olegária, a maior fonte de conhecimento da obra do pai, nos informou que ele não deixava passar um “instantâneo”, uma das palavras queridas do fotógrafo. Então eu perguntei a Olegária como ele conseguia tais fotos, se ele possuía algum truque, pois lento é o raciocínio humano e do entrevistador. Resposta da filha: “Ele possuía uma habilidade muito grande. Rapidez. Ele tinha rapidez, uma reação rápida. Quando ele via, não pensava duas vezes, ele agia”.
Essa resposta me fez lembrar Nelson Rodrigues, quando tentou explicar Garrincha: “Todos nós dependemos do raciocínio. Não atravessamos a rua, ou chupamos um Chica-bon, sem todo um lento e intrincado processo mental. Ao passo que Garrincha nunca precisou pensar. Garrincha não pensa. Tudo nele se resolve pelo instinto, pelo jato puro e irresistível do instinto. E, por isso mesmo, chega sempre antes, sempre na frente, porque jamais o raciocínio do adversário terá a velocidade genial do seu instinto”.
Ou adaptando o drible e criação de Garrincha ao fotógrafo e repórter da cidade: Wilson pensava com os dedos e a câmera, rápido. E a sua área, o seu campo de futebol, era todo o espaço do Recife. De preferência. A não ser, claro, que aparecessem as misses nuas. Mas disso, infelizmente, jamais teremos a prova. Só o negativo do desejo.
Fonte: Diario de Pernambuco, 12/3/2018
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